domingo, 28 de outubro de 2012


Pesquisa Tradicional (modelo clássico de pesquisa) X Modelos Alternativos de Pesquisa

 (Pesquisa Participante, Pesquisa Ação).

  
A pesquisa cientifica independentemente de ser no modelo tradicional ou modelos alternativos pode ser definida da seguinte forma

Pesquisa cientifica é “[...] o processo formal e sistemático de desenvolvimento do método cientifico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos (GIL, 1994, p.43).

Características do Modelo Clássico de Pesquisa
1 – O pesquisador planeja, executa e divulga a pesquisa.  A população é apenas “objeto passivo” da pesquisa.

1- Neutralidade

Pesquisadores devem ter uma atitude de neutralidade em relação ao fenômeno pesquisa

2- Ser neutra, apolítica e descomprometida;

3- Não envolvimento com a população, pessoas e os fatos pesquisados;

4 – Objetividade –   Controle das perempções, senso comum, ideologias. Os resultados da pesquisa devem se basear nos dados empíricos obtidos na mesma.

5 – Propõem o estudo dos fenômenos sociais da mesma forma utilizada pelas ciências naturais.

Etapas do Método Clássico de Pesquisa

De acordo com Gil a pesquisa [modelo clássico] envolve grandes etapas: planejamento, coleta de dados, análise e interpretação e redação do relatório (1994, p.50).

Cada uma destas etapas é dividida em outras mais específicas:

            Fase de preparação da pesquisa/ elaboração do projeto de pesquisa

            - escolha e delimitação do tema (objeto) da pesquisa;

            - levantamento de dados básicos sobre o tema (objeto da pesquisa);

            - formulação do problema de pesquisa (perguntas norteadoras);

            - construção das hipóteses e/ou definição dos objetivos da pesquisa;

            - definição dos termos;

            - escolha das variáveis;

            - delimitação da pesquisa;

            - definição do universo da pesquisa e/ou amostra

            - seleção e elaboração dos métodos e técnicas de pesquisa;

            - teste (pré-teste) dos instrumentos e procedimentos de pesquisa;

            Fase de execução da pesquisa

- coleta de dados;

            - preparação dos dados para a analise;

            - analise e interpretação dos resultados;

            - conclusões (julgamento das hipóteses caso existam);

 

            Redação dos resultados da pesquisa/divulgação dos resultados

- redação da versão preliminar de relatório de pesquisa, artigos e/ou comunicação cientificas, painéis etc.;

- correção dos materiais;

- elaboração de versões finais;

- divulgação/apresentação

 
   

           

Modelos Alternativos de Pesquisa Científica (Pesquisa Participante, Pesquisa Ação).

 Principais características dos Métodos Alternativos de Pesquisa Científica

1-      População pesquisada ou moradora na localidade onde a pesquisa é realizada é “sujeito” ativo da pesquisa e não apenas “objeto da pesquisa” ou mera observadora da mesma.

2-      Envolvimento dos pesquisadores, dos pesquisados e/ou informantes (depoentes) no processo de pesquisa;

3-      População ou representantes da população pesquisada ou do local onde é realizada a pesquisa participam ativamente da pesquisa;

4-      Realização de seminário e/ou ação escolhida e planejada juntamente com a comunidade ou população do local onde a pesquisa é realizada.

5-      Caracteriza-se pela interação entre os pesquisadores e os membros das situações pesquisadas;

6-      É comprometida com a minimização da relação entre dirigentes e dirigidos;

7-      É voltada, sobretudo, para investigação junto à grupos desfavorecidos, tais como os constituídos por operários, camponeses, indígenas, favelados e moradores de periferias;

8-      Envolve posições valorativas, sobretudo do humanismo cristão e de certas concepções marxistas.

9-      Realiza ações que resultam a conscientização da comunidade sobre seus problemas.

 

Fluxograma (passos, etapas) dos Métodos Alternativos de Pesquisa.

De acordo com Gil (1993, p.126 e 132) é difícil determinar com precisão as etapas da Pesquisa Ação e da Pesquisa Participante.

Podemos representar as principais etapas destes tipos de pesquisa:

1-      Fase de estudos preliminares do local e/ou população objeto da pesquisa ou onde será realizada a pesquisa; 2 - Fase de montagem da pesquisa juntamente com a população que será objeto da pesquisa ou da região onde a pesquisa será realizada ou representantes da mesma; 3 – realização de seminário com a participação de pessoas significativas da população local, pesquisadores e especialistas convidados para discussão e aprovação das diretrizes da pesquisa (PA); 4 – coleta de dados; 5 - discussão, em Grupos de Estudo, dos resultados da pesquisa (PP); 6 – escolha de ações para solucionar problema considerado importante pela comunidade (PA); 7 – execução da ação planejada (P A); 8 – divulgação dos resultados da pesquisa (P P e PA).

Criticas ao Método Tradicional de Pesquisa

1 – Apenas os dados coletados não possibilitam chegar a evidências imediatas, para isto é necessário o auxilio de elementos subjetivos ou da ação consciente do pesquisador;

2 – A objetividade é difícil de ser obtida.  Todo conhecimento do mundo é afetado pelas predisposições do pesquisador;

3 - O pesquisador faz parte da sociedade possui valores, concepções etc. que influenciam na sua prática;

A neutralidade é uma postura farsante, por ingenuidade, ou por esperteza. O engajado comete – logicamente – suas barbaridades, mas é pior ainda cometê-las ingenuamente ou espertamente. O serviço instrumental subserviente da ciência é seu pior engajamento, sobretudo para uma atividade que se apregoa superior ao senso comum, capaz de avaliar tudo [...]” (DEMO, 1989, p.83).

“[...] A ciência tende fortemente a ser instrumentalista, sobretudo na linha da produção tecnológica, desligando-se de discutir os fins [...] este desligamento é artificial, ingênuo ou esperto, e, sobretudo estratégico para o sistema, que sempre prefere o cientista competente nos meios e isento nos fins” (DEMO, 1989, p.83).

 

 Criticas aos Métodos Alternativos de Pesquisa (segundo DEMO, 1989, p.83 – 85).

1 - A teoria não pode ser subjugada pela prática, pois esta sozinha não é critério exclusivo de verdade;

2 – Se desconhece o fato formal da realidade e da atividade cientifica que precisa de método, de sistematização, de rigor lógico, de competência formal, que nenhum ativismo substitui;

3 – Risco de desistir do uso da lógica e do método, da teoria e da reflexão e cair no ativismo fanático, fechado e pequeno.

“[...] a titulo de colocar o intelectual a serviço da comunidade, o reduzem a mero codificador da identidade cultural local, como se a comunidade sempre tivesse razão, ou se o saber especializado já não tivesse qualquer relevância” (DEMO, 1989, p.83 - 84).


Considerações finais

Segundo Pedro Demo

- deve-se buscar um equilíbrio critico e autocritico entre condições objetivas e subjetivas;

- qualidade formal e politica devem estar no mesmo patamar de relevância, bem como a teoria e a prática “(DEMO, 1989, p.84).

 

Também deve-se

- deve-se sempre levar em consideração o uso e o destino dos conhecimentos produzidos.  Serve para que? Para quem.

- Utilizar, mesmo no Método de Pesquisa Clássico, alguns encaminhamentos importantes dos Metodos Alternativos, por exemplo:

- sempre que possível informar a população pesquisada ou do local da pesquisa, os objetivos da pesquisa; os resultados finais da pesquisa.

- buscar realizar pesquisas que tenham alguma utilidade social e não apenas utilidades acadêmicas.

 

Referencias Bibliográficas

 

DEMO, Pedro. Metodologia Científica em ciências sociais. 2. ed.rev. ampl. São Paulo: Atlas, 1989.

 

GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3.ed. SãoPaulo: Atlas, 1993.

 

___ . Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1994.

 

 

RESUMO SOBRE PESQUISA CIENTIFICA


PESQUISA

 

Texto elaborado pelo prof. Antônio Eustáquio de Moura

UNEMAT – Campus de Cáceres

Maio de 2006

Versão preliminar – circulação  controlada apenas para alunos (as) do prof. Moura

 

Conceitos

 

-          É a busca de soluções para problemas práticos ou teóricos

 

A pesquisa pode ser realizada por todos os tipos de pessoas, não apenas por cientistas ou outros tipos de pessoas devidamente capacitadas para executar pesquisas.

 

Todas as pessoas podem fazer pesquisa para resolver problemas, mas nem todas as pesquisas são científicas.

 

Tipos de pesquisa


            Comum

            Cientifica

            De aprendizagem

 

Pesquisa comum


É a realizada sem a utilização do metodo cientifico, se propoem a encontrar respostas para problemas, principalmente de ordem prática, mas não tem um caráter explicativo.

Exemplos

 o agricultor que testa sementes que ganhou; inseticidas naturais que aprendeu a fazer.

a dona de casa que faz levantamento de preços nos supermercados

o estudante ou o professor que fazem levantamento de preços de material de informática

 

O conhecimento popular, o etnoconhecimento obtido através de centenas ou milhares de anos que os seres humanos obtiveram pela pesquisa comum, realizada através de observação da natureza e dos fenômenos naturais, e através de tentativas (erros e acertos), tiveram e ainda têm importante papel para a humanidade.   Durante milhões de anos foi a maior fonte de conhecimentos que permitiram os seres humanos sobreviver e ocupar quase todo o globo terrestre.

Atualmente existe um grande desenvolvimento da pesquisa dos conhecimentos de diferentes grupos étnico( Etnoconhecimento) espalhados pelo Globo terrestre. ( etnobotânica, etnoecologia, etnoagricultura, etnoastronomia etc.).

 

 

Pesquisa de aprendizagem


É a realizada com o objetivo principal de capacitar, de treinar as pessoas para a realização de pesquisa cientifica, normalmente não visa a busca de novos conhecimentos e repete pesquisas e procedimentos de pesquisa já realizados por outras pessoas.


Exemplo: pesquisas realizadas por alunos nas universidades e cursos técnicos. Capacitação de agricultores para realização de pesquisa em suas propriedades.

 

Pesquisa Cientifica


 

-          Processo formal e sistemático de busca de resposta para problemas, previamente definidos, mediante o emprego de procedimentos científicos. ( GIL, 1994, p.43)

 

“[...] é a realização concreta de uma investigação planejada, desenvolvida, e redigida de acordo com as normas da metodologia consagrada pela ciência” (RUIZ, 2002, p.48).

 

Marconi e Lakatos afirmam baseando no Webster’s International Dictionary, que “pesquisar não é apenas procurar pela verdade, é encontrar respostas para questões propostas, utilizando métodos científicos” (1990, p.15).   Deste modo destacam o caráter explicativo da pesquisa científica.

 

É a procura de informações necessárias para o conhecimento de objetos, pessoas, fenômenos predeterminados ou solucionar problema proposto, utilizando um método rigoroso e critico.

 

A pesquisa cientifica não é de natureza mecânica,  pois requer imaginação criadora e iniciativa individual.   Ela não é uma atividade feita ao acaso, porque se submete a procedimentos previamente escolhidos.

 

Na pesquisa cientifica utilizamos o Método Científico

 

De acordo com Ruiz, o método cientifico é“ [...] um instrumento utilizado pela ciência na sondagem  da realidade, mas um instrumento formado por um conjunto de procedimentos, mediante os quais os problemas científicos são formulados e as hipóteses cientificas são examinadas”. (1986, p.32).   Sua aplicação varia de acordo com o objeto da Ciência. (1986, p.32 – 33)

 

Características do Conhecimento Cientifico –


 

-          transcende os fatos, pois não busca apenas a descrever ou explicar os fatos pesquisados, mas também busca descobrir a relação com outros fatos e explicá-la.

-          É analítico, ou seja, divide o todo em partes, para descobrir e analisar sua estrutura e funcionamento e a interligação de suas partes. Posteriormente trata de sintetizar os resultados reconstruindo o todo.

-          Exemplo – analise dos componentes de uma planta medicinal, e da ação de cada componentes separados e depois juntos.

-          Requer exatidão e clareza.   Busca controle de erros, clareza nos conceitos. Se submete à prova da experiência e da verificação

-          É comunicável, ou seja, deve ser divulgada através de artigos científicos, comunicação cientifica, relatórios de pesquisa etc.

-          É verificável, ou seja, para ser válido deve passar pela prova da experiência ou da demonstração (experimentação).

-          Depende de investigação metódica, pois o processo de pesquisa segue etapas, normas e técnicas, que obedecem a um método preestabelecido.

-          É planejado, de forma que deve ser previamente planejado antes de ser iniciado.

-          Busca e aplica leis (é sistemático), pois busca  inserir os fatos isolados em normas gerais (leis).   Busca fazer generalizações, através der traços comuns entre os fatos.

-          É explicativo.   Busca explicar os  por quês das coisas observadas. Busca encontrar as causas dos fatos, suas relações internas e suas relações com outros fatos.

-          Pode fazer predições, baseado nas informações sobre os fatos e do relacionamento do mesmo com os seres e fenômenos.

-          É aberto e mutável, pois depende das condições de sua época – conhecimentos, instrumentos de investigação etc. - que mudam com o transcorrer do tempo. (revoluções cientificas, mudanças de paradigmas).

-          É útil pois proporciona aos seres humanos conhecimentos para dominar a natureza e de sobreviver.

 

Citar problemas

Conhecimento cientifico  e dominação

Conhecimentos cientifico  e as guerras

Necessidade de uma Ética na pesquisa

Necessidade de controle social da pesquisa

 

 

PASSOS (FLUXOGRAMA) DA PESQUISA CIENTIFICA

 

1 – Fase de preparação

escolha do tema

delimitação do problema

revisão de literatura

documentação bibliográfica

critica da documentação

construção de esquemas teóricos

 

2 – Fases de construção do Plano (projeto de pesquisa)

objetivos da pesquisa

definição do problema de pesquisa

construção das hipóteses

 justificativa

fundamentação teórica

definição de conceitos e escolha de variáveis

metodologia de coleta de dados

preparação do instrumental de coleta de dados

definição da população  ou amostra a ser pesquisada

cronograma de ações

orçamento

 

3 – Fases de execução da pesquisa

estudo piloto (ou pré-teste)

treinamento da equipe de trabalho

coleta de dados

preparação dos dados para analise

analise de dados

avaliação de hipóteses

 

4 – Fase de construção e apresentação dos resultados de pesquisa

construção do relatório

redação preliminar

redação final

divulgação

 

 

COMO FORMULAR UM PROBLEMA ?


 

Fonte

GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1993. p.26 – 34.

 

Problema – é uma questão não resolvida e que é objeto de discussão em qualquer domínio de conhecimento. p.26.

 

- Nem todo problema  é cientifico.   Existe “problema de engenharia”, pois se refere a como fazer algo de maneira eficiente.  Existe “problema de valor” que indagam se uma coisa e boa ou não, desejável ou não, se deve ou não deve ser feita.

 

Problema cientifico


“ [...] problema é de natureza científica quando envolve variáveis que podem ser tidas como testáveis [...]” p.27.

 

-          Problema de natureza científica - indagam como são as coisas, suas causas e conseqüências e são testáveis, ou seja, passíveis de verificação empírica.

 

 

Aspectos do problema de pesquisa  p.29 –33.


 

1 - o problema de pesquisa deve ser formulado na forma de uma pergunta;

 

2 – deve ser claro e preciso;

-          deve ser formulado com conceitos bem definidos

-          um artificio útil é definir os conceitos operacionalmente, ou seja, na forma em que o fenômeno [ou objeto] é medido.

 

3 – deve ser empírico;

-          deve se referir a fatos empíricos e não a percepções pessoais.

 

4 – deve ser suscetível de solução;

-          ser possível se coletar dados para a sua solução

 

5 – deve ser delimitado a uma dimensão viável;

-          não deve ser demasiadamente amplo, deve ter uma delimitação.

 

 

 

COMO CONSTRUIR HIPÓTESES ?


 

Fonte

GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1993. p.35 – 44.

 

 

Conceito  p.35.

-          É uma solução possível do problema

-          É uma expressão verbal suscetível de ser considerada falsa ou verdadeira.

 

Como podem ser  as hipóteses ?  p. 35 - 39.


-          afirmam que determinado fato, pessoa, ou objeto  tem determinada característica

-          referem-se a freqüência de determinado acontecimento;

-          estabelecem relação de associação entre variáveis;

-          estabelecem relação de dependência entre duas ou mais variáveis

 

Como chegar a uma hipótese?  P.39.


-          Ter experiência  na área

-          [Ter algum conhecimento inicial sobre o assunto a ser pesquisado]

 

Principais fontes de Hipóteses p.40 – 41.


-          Observação de fatos relacionados ao tema da pesquisa

-          Resultados de outras pesquisas

-          Teorias

-          intuição

 

Características de uma hipóteses aplicável  p.41 - 43


-          ser conceitualmente clara.   Conceitos relacionados a mesma ser bem definidos

-          ser especifica, não ser muito ampla

. no caso de ser muito ampla, dividir a hipótese em sub- hipótese;

-          Ter referencias empíricas (Ter condições de ser testada)

-          Ser simples,  (parcimoniosa), não ser complexa.

-          ser relacionada com as técnicas de coletas de dados disponíveis;

-          estar relacionada a uma teoria (quando não é dificulta a generalização)

 

Bibliografia

 

GALLIANO, A Guilherme. O Método Cientifico: Teoria e Prática. São Paulo: Harbra, 1986.

 

GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3.ed. São Paulo: Atlas, 1993. .

 

_____ . Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 4.ed. São Paulo: Atlas, 1994.

 

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de Pesquisa. 2.ed.ver.ampl. São Paulo: Atlas, 1990.

 

RUIZ, João Álvaro. Metodologia Científica: Guia para eficiência nos estudos. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

NBR 6.023/2003 ABNT Referencias Bibliograficas


RELATÓRIO DA 5ª COMEMORAÇÃO DO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA REALIZADA PELAS COMUNIDADES NEGRAS RURAIS
QUILOMBOLAS DE POCONÉ

Local – Comunidade do Laranjal/município de Poconé/MT
Data – 21 de novembro de 2009

INTRODUÇÃO
As comunidades negras rurais de Poconé desde 2005, realizam a comemoração do Dia da Consciência Negra (20 de Novembro). Nesses eventos através de manifestações da cultura afro-brasileira e mato-grossense (de raízes negras) e reflexões sobre a história e das condições sócio-econômicas e culturais do povo negro no Brasil, e especificadamente das comunidades remanescentes de quilombos, buscam valorizar a identidade de afro-brasileiro e a de quilombola, bem como analisar a situação das comunidades negras rurais e propor políticas públicas para a melhoria das condições de vida e trabalho nas mesmas.
A primeira e a segunda comemoração foram realizadas na Comunidades Negra Rural Quilombola de Campina de Pedra (2005 e 2006), seguindo a proposta da Executiva das Comunidades Negras Rurais Quilombolas de Poconé em realizar esses eventos em diferentes localidades do município, a terceira comemoração foi realizada na Comunidade Negra Rural do Capão Verde (2007); a quarta foi realizada na Comunidade Negra Rural do Tanque do Padre (2008); e a quinta ocorreu na Comunidade Quilombola do Laranjal.

OBJETIVOS DO EVENTO:
1 - Comemoração do “20 de Novembro” (“Dia da Consciência Negra”), visando à positivação da identidade quilombola, da identidade negra, da história e da cultura das comunidades negras rurais de Poconé;
2 – Ser momento de confraternização entre as populações da Morraria (de Poconé): das comunidades quilombolas, das comunidades negras rurais, das comunidades tradicionais, de assentamentos. E também de seus descendentes moradores na cidade e povoados e dos membros de religiões de matriz afro-brasileira;
3- Encontro de Cururueiros;
4 – Exposição de trabalhos de alunos de escolas de comunidades quilombolas;
5 – Exposição de atividades realizadas pelo projeto de pesquisa “Levantamento das Comunidades Negras Rurais dos municípios de Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Barra do Bugre e Cáceres (UNEMAT/FAPEMAT);
6 – Reflexão sobre a conjuntura quilombola nacional, estadual e municipal com a presença de representantes da Coordenação Nacional, Coordenação Estadual e Coordenação Municipal das Comunidades Quilombolas, Fundação Cultural Palmares e Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

ATIVIDADES REALIZADAS
Chegada dos participantes (transporte gratuito) e lanche;
Parte religiosa ecumênica;
Abertura com autoridades presentes;
Oficinas
Cabelo afro
Dança Circular com Músicas Africanas Identidade Cultural
Culinária Afro-brasileira
Educação para a Paz
Exposição de trabalhos de alunos e alunas das escolas das comunidades negras do Chumbo, Campina de Pedra, Tanque do Padre e Laranjal.

Exposição de fotografias do Projeto de Pesquisa “Levantamento das Comunidades Negras Rurais dos municípios de Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Barra do Bugre e Cáceres (UNEMAT/FAPEMAT);

Apresentações artísticas das comunidades negras rurais: teatro, poesias, cururu, siriri,

Palavras do representante do Governador Blairo Maggi, dep. Federal Wellington Fagundes.
Apresentações artísticas de alunos e alunas da escola do Chumbo: hip-hop, danças, poesias.
Jantar (gratuito)
Apresentações dos grupos artísticos de Cáceres: Grupo Candeias (capoeira) e Grupo Raio de Luz (dança afro)
Desfile da “Beleza Negra” (crianças, jovens, adultos e idosos) homens e mulheres. Desfile livre para quem quiser desfilar, sem competição, sem júri.
Baile (gratuito) com som mecânico.
Fim das atividades (01h00min horas) e retorno as comunidades.

AVALIAÇÃO GERAL
A 5ª Comemoração do Dia da Consciência Negra realizada pelas comunidades negras rurais quilombolas de Poconé/MT teve a presença de 1.500 (mil e quinhentas) pessoas, 23 comunidades de Poconé e visitantes de diversas localidades de Mato Grosso, sendo o maior evento quilombola realizado no Estado de Mato Grosso e um dos maiores do Brasil. Apesar do evento ter sido o maior evento quilombola realizado no Estado de Mato Grosso e um dos maiores do Brasil, foram poucas as noticias que saíram nos jornais impressos ou digitais. A maioria das noticias que saíram deram mais destaque a presença do prefeito de Cuiabá ao evento do que ao evento em si.
Este ano, além das parcerias com a Universidade do Estado de Mato Grosso e da Prefeitura Municipal, houve a participação ativa da SEBRAE/Cuiabá.
O evento continuou a não ter o apoio da Fundação Cultural Palmares e da Secretária Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial.
Devido à imprevistos de ultima hora, não houve a participação do Sr. Jhonny Martins de Jesus da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas (CONAQ), que faria a palestra principal do evento..
Um destaque foi compromisso assumido pelo Deputado Federal Wellington Fagundes, de em nome do Governador do Estado Blairo Maggi, viabilizar a doação de trezentos mil reais para a realização de comemoração do Dia da Consciência Negra pelos quilombolas de Mato Grosso, em Cuiabá em 2010.


Coordenação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas de Poconé/MT





ANEXO FOTOGRAFICO
Ilustração 1 Placa com indicação de benefícios recebidos pela comunidade

Ilustração 2 cartaz da festa

Ilustração 3 decoração do palco

Ilustração 4 onibus fretados para transporte de participantes do evento


Ilustração 5 barração da festa ,antes do inicio das comemorações

Ilustração 6 publico presente






Ilustração 7Oficina de penteados afro

Ilustração 8 uso das condições locais para descanso e atividades
‘’



Ilustração 9 amostra do material exposto pelas escolas quilombolas

Ilustração 10 oficina de dança afro

Ilustração 11 oficina de culinária afro-brasileira


Ilustração 12 parte do painel exposto pela escola da comunidade do Laranjal

Ilustração 13 maquete do povoado de Chumbo,produzido por alunos da escola da comunidade

Ilustração 14 parte da exposição de fotografias do projeto de pesquisa “Levantamento das comunidades negras rurais...”

Ilustração 15 fotografias expostas por escolas quilombolas




Ilustração 16 cururu

Ilustração 17 teatro/Comunidade do Laranjal

Ilustração 18 danças

Ilustração 19 siriri “Grupo Balaio de Gato”

Ilustração 20 siriri comunidade Campina de Pedra

Ilustração 21 dança alun@s escola do Chumbo

Ilustração 22 dança alun@s de escola quilombola


Ilustração 23 dança comunidade do Chumbo

Ilustração 24 hip-hop

Ilustração 25 apresentação de dança

Ilustração 26 capoeira Grupo Candeias/Cáceres

Ilustração 27 siriri dos quilombolas “na melhor idade”

Ilustração 28 Grupo Raio de Luz/Cáceres





Ilustração 29 lanche

Ilustração 30 preparação do churrasco da festa

Ilustração 31 trabalho voluntário na cozinha

Ilustração 32 Benedita e Rosária da Executiva Quilombola de Poconé

Ilustração 33 crianças participantes da festa


Ilustração 34 – Deputado Wellington Fagundes, representante do Governador e Pedro Reis,presidente da CEPPIR/MT

Tipos de Apontamentos (Anotações)


 

 

APONTAMENTOS (ANOTAÇÕES, DOCUMENTAÇÃO)

 

Texto de circulação restrita

Texto elaborado pelo prof. Ms Antônio Eustáquio de Moura  (atualmente Dr.)

UNEMAT/Campus de Cáceres

Março de 2006  (reescrito em setembro 2012)

 

Conceito - É o conjunto de anotações (lembretes, resumos, esquemas, anotações de aulas e palestras etc.) e matérias (fotocópias, fotografias, artigos, desenhos, gráficos, textos) sobre um tema de nosso interesse, que utilizamos para facilitar o acesso à dados sobre assuntos que julgamos importante (objeto de trabalhos acadêmicos, pesquisa. Monografia, tese etc.)

 

É o acervo de textos, anotações e apontamentos referentes a um ou diversos assuntos de interesse de quem o elaborou.

 

Alguns autores denominam os apontamentos de fichamento, mas este termo não é adequado porque parece vincular as anotações apenas as fichas, que são apenas uma das possibilidades de material para se escrever os apontamentos.

 

Observações

- Elaboramos apontamentos porque a nossa memória é falha e limitada e não consegue guardar todos os assuntos de nosso interesse (falibilidade da memória).

- Não fazemos apontamentos de tudo o que estudamos, lemos ou escutamos, mas apenas de assuntos que são úteis para a nossa vida estudantil ou profissional.

- O apontamento é algo pessoal do indivíduo sendo elaborado de acordo com a sua própria conveniência e gosto.

 

Importância


-          Facilita o acesso de dados para preparo de seminários, palestras, apresentações de variados tipos, elaboração de textos etc.

-          serve para tirar duvidas sobre determinados assuntos

-          facilita as revisões  das matérias

-          subsidia a memória que é limitada

-          ajuda no aproveitamento do estudo

 

Formas de elaboração de apontamentos:

-          sublinhamento

-          esquema

-          resumo

-          resenha

 

 

 

 

 

Tipos de Documentação


As denominações dos apontamentos variam de autor a autor.  

 

Para Galliano os tipos de apontamentos são: documentação bibliográfica, documentação temática, documentação geral. 

 

De acordo com Ruiz, os tipos de apontamentos são Fichário Bibliográfico, Fichário de Sínteses Pessoais, Fichário de Documentação.

 

Segundo Marconi e Lakatos, os tipos de apontamentos são: Ficha Bibliográfica, Ficha Comentário ou analítica, Ficha Resumo, Ficha de Esboço, Ficha de Citações.

 

 

Sugestões de apontamentos (anotações)

         Bibliografia sobre um assunto

            Indicações do conteúdo de um texto

            Resumos do texto, palestra, seminário, aula  (resumo de estudo, resumo de conteúdo) 

            Conjunto de conteúdos importantes sobre um assunto (também denominado de Resumo de Conteúdo, Resumo de Estudo)

            Resumo Critico do Texto

            Documentação Geral

           

Observação

O tipo de apontamento a ser elaborado, depende do tipo e importância do texto (os) e dos objetivos de quem elabora o apontamento.

 

Não é necessário seguir as propostas dos autores acima relacionados,basta elaborar os seguintes tipos de apontamentos:

 

1 - Bibliografia sobre um assunto – é formada por um conjunto de referências bibliográficas de textos sobre um assunto, acompanhadas de indicações para a localização de cada um deles (local onde se encontram numeração de referencia que tem nas bibliotecas e arquivos onde se localizam).

 

2 – Indicações do conteúdo de um texto - é formada pelo esquema ou um índice minucioso do texto, indicando os assuntos importantes do mesmo é as páginas onde se encontram no texto. Devemos colocar indicações para a localização do texto (local onde se encontra; numeração de referencia que tem nas bibliotecas e arquivos onde se localizam) e também a referencia bibliográfica do mesmo.

 

3 –  Resumos do texto, palestra, seminário, aula  (resumo de estudo, resumo de conteúdo)  - é formado por anotações contendo as informações centrais, os dados mais importantes, criticas, comentários, comparações, adendos.  É feito individualmente por texto, palestra, seminário etc.

 

Observações- 

No caso de resumo de texto deve-se indicar a localização no texto das partes resumidas, também, deve haver uma diferenciação do conteúdo do texto, do conteúdo que anexamos ao resumo (criticas, comparações, adendos). Devemos colocar indicações para a localização do texto (local onde se encontra; numeração de referencia que tem nas bibliotecas e arquivos onde se localizam) e também a referencia bibliográfica do mesmo.

No caso de palestra, seminário devemos colocar informações sobre o mesmo (data e local de realização, nome dos palestrantes etc.)

 

4 – Conjunto de conteúdos importantes sobre um assunto è formado por um conjunto de informações (dados na forma de resumo ou esquema) sobre um assunto, obtidos em diferentes obras, materiais, autores.  Difere do resumo de texto, palestra, seminário porque em um mesmo apontamento podemos colocar dados de diferentes obras, autores, fontes.

 

]

 

Observações


Cada dados, informação etc. deve ser acompanhada da referencia da fonte (livro, revista, jornal, palestra etc.), localização no texto (página), bem como da forma de localização do material.

 

5 – Resumo Critico do Texto

É um tipo especial de apontamento, utilizado, por exemplo, no curso de Letras, Filosofia, onde além de se colocar de forma resumida os pontos importantes do texto, é feito uma analise da forma como o autor desenvolveu o texto, analise critica do conteúdo do texto, comparação do texto com outros textos que tratam do assunto abordado pelo texto em estudo.

De modo geral é feito por pessoas com mais conhecimento da temática abordada no texto

 É semelhante à Ficha de Comentário ou Analítica preconizada por Marconi e Lakatos ou da Resenha Critica

 

6 – Documentação Geral

É um conjunto de diferentes tipos de apontamentos sobre um assunto (lembretes, resumos, esquemas, anotações de aulas e palestras etc.) e matérias (fotocópias, fotografias, artigos, desenhos, gráficos, textos), guardados em caixa, fichário, pasta etc.

 

Observações


Devemos colocar indicações para a localização do texto (local onde se encontra; numeração de referencia que tem nas bibliotecas e arquivos onde se localizam) e também a referencia bibliográfica do mesmo.

No caso de palestra, seminário devemos colocar informações sobre o mesmo (data e local de realização, nome dos palestrantes etc.)

Os gráficos, recortes de jornais e revistas, fotos, gravuras etc., devem ser acompanhados da referencia bibliográfica dos textos de onde foram retirados, bem como a localização dos mesmos (página) no referidos textos

 

Como elaborar apontamentos

-          definição de objetivos

-          primeira leitura

-          tirar dúvidas

-          Segunda leitura

-          Sublinhamento do texto, se possível

-          Fazer as anotações

-          Utilizando nossas próprias palavras e Citações

-          Trechos do próprio texto (cuidados ao utilizar este material)

Evitar copiar longos trechos do texto

 

 

 

 

 

 

 

Locais onde elaboramos apontamentos:

-          no próprio texto (sublinhamento e anotações)

-          - fichas

-          caderno

-          folhas soltas

-          caderno de campo

-          em caixas, arquivos, pastas (documentação geral)

em computador, notebook

na Internet

 

Características ideais de um apontamento:

            - Voltado para os objetivos propostos


            - Se preciso e não dar margem a dúvidas

            - Possuir dados que permitam localizar as fontes

                        Cabeçalho, referência bibliográfica

                        Dados de localização da obra (local, numerações)

- folhas ou fichas organizadas e numeradas

            - ter espaçamento entre os tópicos (ser “arejado”)

- ter cabeçalho (titulo) bem definido

-          - Aspectos gráficos

destacar títulos e subtítulos

ter margens

Espaçamento entre os tópicos

 

Bibliografia


 

GALLIANO, A Guilherme. A Documentação Pessoal In:___ O Método Cientifico: Teoria e Prática. São Paulo: Harbra, 1986. p. 98 – 104.

 

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo, 2003. p. 48 – 67.

 

MOURA, Antônio Eustaquio.  Anotações para Iniciação em Metodologia Científica. Cáceres, 2006. digitado.

 

RUIZ, João Alvaro. Metodologia Científica: Guia para a eficiência nos estudos. 5. ed.São Paulo: Atlas, 2002. p.67 – 73.